Alguns já perguntaram qual o futuro da internet e dos blogs em função do surgimento de redes-sociais e micro-blogs como o Twitter, que agilizam a troca de informação – hoje todos estamos muito conectados e a TV perdeu o status de “grande mídia”. Minha preocupação não é com o futuro da internet ou se as pessoas vão deixar de visitar blogs. O que me deixa alarmado é que as pessoas não sabem ler: estamos criando uma geração de analfabetos funcionais – pessoas que sabem identificar as letras, sílabas e palavras, mas não entendem um texto.
Só há uma maneira de ilustrar o que estou dizendo, usando de um texto. Recebi um comentário em um tutorial desse blog. Segue a imagem dos dois primeiros parágrafos e o comentário que não aprovei por motivos óbvios (mas se você não achar óbvio, então leia nossa Política para Comentários).
Não vou comentar o erro de português. O que me deixa intrigado é o fato desse visitante não ter lido nem as primeiras linhas do artigo, rolou toda a página até o formulário de comentários, escreveu, enviou e fechou a página sem ao menos fazer o menor esforço de tentar ler e entender o texto. Preguiça? Pode ser…
Já escrevi sobre isso em outro artigo e comentei o seguinte:
As pessoas lêem pouco e, quando lêem não são capazes de compreender o todo e absorver a informação. (…) Pense quando foi a última vez que você parou mais de 1 hora pra ler um bom livro? Quantos artigos e textos de blogs você abriu hoje e leu por completo o texto, do início ao fim? Acontece que não conseguimos nos concentrar numa única coisa por muito tempo.
Como uma dessas coincidências da vida virtual, no mesmo dia outros dois blogs publicaram artigos semelhantes, tratando sobre o mesmo problema: como as pessoas lêem pouco:
- Qual vai ser o futuro dos blogs? (Dicas Blogger – Juliana Sardinha)
- Geração Z: os apressadinhos da web (TecnoBlog – Bia Kunze)
Um trecho do artigo da Bia:
“Comida, tem que ser fast food. Relacionamentos amorosos, tem que ser ficar. Ler um livro para fazer um trabalho é absurdo: resumos são passados de mão em mão. Ou melhor, de caixa de entrada em caixa de entrada…”
Agora, um vídeo para ilustrar melhor ainda o assunto. Sim, os vídeos são a solução para muita gente que não quer perder tempo lendo nada, pois é mais fácil de entender e já vem digerido:
Aqui no [ Ferramentas Blog ] resolvi tratar alguns assuntos por vídeos e percebi que têm mais audiência que meus melhores artigos em forma de texto (veja no Youtube o número de visitas de cada vídeo). Mesmo que os vídeos tomem mais tempo para assistir que um artigo para ler, preferem muitas vezes. Mas a grande questão é que é impossível ter informação sem leitura eficiente e crítica.
Para quem mantém blog ou quer fazer um trabalho de escola, e até mesmo para as pequenas coisas do dia-a-dia saber interpretar um texto é fundamental. Essa é uma capacidade que precisa ser adquirida com muita prática. Se quer escrever 1.000 palavras, então leia 10.000, dizia um velho professor que tive.
Aí me deparei com um artigo mais contundente, que chega a desanimar nós que escrevemos em blogs. São dados de uma pesquisa que provam o quanto estamos lendo cada vez menos e cada vez pior:
Será que você consegue ler até o final?
Vou contar uma história sobre nossa dificuldade para ler. O Padre Wolfgang Gruen, biblista, contou certa vez numa aula que ministrava sobre leitura interpretativa da bíblia, que foi convidado para coordenar um grupo que iria traduzir uma bíblia para uma linguagem popular. Fizeram uma pesquisa e descobriram que um homem médio no interior do Minas Gerais, com não mais que 6 anos de estudo, tem um vocabulário prático (um vocabulário que usa constantemente) de pouco mais de 3.000 palavras.
Com essa mesma pesquisa, descobriram que um jovens/adolescente de uma capital, em período de vestibular, tem um vocabulário prático de não mais que 1.200 palavras. Isso fez sobrar uma pergunta: como escrever uma bíblia com uma linguagem acessível para esses dois públicos tão diferentes? Desistiram do projeto. (A história é verídica)
Estamos num período em que nossa geração e as novas, estão ficando cada vez mais analfabetas e ignorantes. Têm acesso, mas não conseguem usar o que têm. É como abrir uma porta, mas não entrar. A única forma de se ter conhecimento é lendo, lendo muito e debatendo o que se lê; o que torna impossível querer apenas absorver informações “scaneando” telas de sites com os olhos, achando que vamos ficar mais sabidos por algum tipo de osmose virtual. Não dá pra fazer download direto pra cabeça.
Então, repito, o que me deixa preocupado não é se os blogs terão futuro e sim se teremos nós um futuro. Temos o mundo às nossas mãos e podemos chegar a todos os cantos com nossa banda larga, mas isso é só ilusão/virtual. É uma pena que poucos lerão esse texto, ao menos até o final.
27 comentários
Eu confesso: estou desanimada com essa geração de analfabetos funcionais. Às vezes me sinto um ET.
Mas tem que saber ler? sauhauha, brincadeira!
O fator que eu creio que mais influencie nisso, seja a falta de foco em apena suma atividade, do modo como vc disse, eu por exemplo, dificilmente leio textos inteiros na Web, passo direto por muitos Posts no GReader, leio apenas aqueles que tem títulos chamativos (fator que tem que ser ressaltado, a importância do Título e subtítulo!. Muitas pessoas assim como eu, estão ouvindo música, utilizando o Twitter, MSN, orkut Facebook, lendo outras coisas, ou seja, n dá para se concentrar deste modo, e eu tõ aprendendo isto do pior modo!
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AndersonZ1
Sobre o que é seu texto mesmo? Brincadeira, Marcos. Sua preocupação é pertinente. Vou citar um caso simples ocorrido em sala de aula comigo:
Sete e meia da manhã, uma aluna vem andando apressada atrás de mim. Me para no corredor e diz que está cheia de dúvidas em algumas questões de uma simulado que apliquei para prepará-los pro ENEM. Disse a ela que responderia a todas na classe, pois mais alguém poderia ter tido as mesmas dúvidas. Onze horas entrei na sala dessa aluna. Eu, todo orgulhoso por ver que meus alunos procuraram minha ajuda e que veem em mim a solução, nem coloquei meu material sobre a mesa e disse "vamos ver quais as dúvidas no simulado". A aluna levanta a mão e dispara. "Professor, o que é linguagem conotativa?". Meu chão sumiu momentaneamente, mas respondi. Então questionei sobre as dúvidas que ela dissera ter no início do período. Ela vira pra mim e diz que era aquilo. Caceta, a lazarenta não tinha um dicionário pra consultar o que era "linguagem conotativa". Num terceiro ano, uma aluna me faz uma pergunta de vocabulário sendo que é um assunto da sétima série? Marcos, se já estamos assustados com o que temos visto, nem imagina o que vem por aí.
Estamos num período em que nossa geração e as novas, estão ficando cada vez mais analfabetas e ignorantes. Têm acesso, mas não conseguem usar o que têm. É como abrir uma porta... Concordo com você, está acontecendo não somente no mundo virtual, no meiu trabalho mesmo, tenho um companheiro que trabalha comigo, ele não consegue ler e interpretar o que está vendo, tendo mostrar para ele mas seus olhos estão travados ou qualquer coisa do tipo, está ficando difícil muito...
Parabéns excelente artigo, vamos ver se todos vão ler até as últimas linhas...
[In]Commun
Marcos.
REalmente, a coisa é séria. Pesquiso na área da educação, e vejo isso sobre dois ângulos. Por um lado, a tradição da oralidade, o ler e o contar, que é uma tradição do séciulo XIX, acabou sendo deixada para um segundo plano, por essa cultura do visual no final do século XIX, e audiovisual nos meados do século XX.
A nossa maior dificuldade, dentro de ensinar história é reatar esses valores mais tradicionais com essa cultura do audiovisual. Na verdade, ot trafego intenso de informações faz com que realmente haja essa necessidade de velocidade.
O maior problema é que tem pesoas que se adaptam a essa nova leitura, mas a maioria não. Até porque, exige muita bagagem cultural, que não é transmitida por essa experiencia audiovisual. É transmitida por essa linha tradicional, narrativa e literária.
Uma imagem fala mais que mil palavras, mas somente se estiver acompanhada de mil palavras.
Mas não desanima não. Os vídeos adaptam a esa nova necessidade, mas uma hora ou outr o indivíduo acaba se encorajando a ler.
Outro problema é a elitização do conhecimento, mas esse papo é mais tenso, e fica pra próxima.
Abraços.
Shisuii
Pegou no ponto fraco... (Ou seria forte?) Infelizmente a maioria da garotada de hoje serão os monosilábicos de amanhã. Porque os adultos de hoje já vivem no mundo do internetês já faz tempo.
Tem horas que não sei se choro de tristeza ou de tanto rir. Agora eu parei de moderar os comentários dos meus blogs, mas antes... Melhor nem comentar.
Excelente post! Parabéns!
Li até o final. Concordo em gênero, número e grau com você!
E viva a leitura!!!!!!!!
he, eu li até o final!
É verdade, eu vejo isso também. Muitos blogueiros não aprendem a ler de forma interpretativa, ou as vezes nem lêem.
Acredito que esse problema vém de educação mesmo! Errar é humano. Trocar um 'g' por um 'j' é uma coisa que não devemos levar tanto em consideração. Claro que devemos se preocupar em escrever correto, todavia o erro das ideias é o pior de todos. Você falar 'A' e a pessoa entender 'B' é complicadíssimo!
Ótimo post!
Você falou tudo o que eu penso todos os dias. Está cada dia pior. As pessoas estão fazendo perguntas desnecessárias só porque não sabem ler e interpretar um texto banal. Na minha família eu estou cercado de gente assim. Jovens com nível "superior" e que escrevem errado, não lêem livros, e querem tudo já mastigado e nem sequer questionam aquilo que recebem. Eu não agüento mais servir de filtro pra esses caras.
Como dizem os titãs '' a televisão me deixou butto muito burro demais''
E eu diria que '' a internet me deixou burro muito burro demais''
Embora o nível de acúmulo de informação acessível e diversificada tenha crescimento assombroso e contínuo todos os dias... a evidência de que essa informação não está sendo acessada de forma legítima e prudente é algo que me assusta.
Trabalho com jovens há 3 anos e, frequentemente encontro-me em situações embaraçosas onde tenho que adaptar-me à escassez de conhecimento e falta de interesse em aprender...
Minha queixa não é necessariamente a falta de conhecimento e estrutura crítica formada, compreendo que isso, por muitas vezes, é natural devido à falta de oportunidade que muitos jovens têm. A minha intolerância refere-se às pessoas que possuem acesso - como você mesmo citou - mas negligenciam a tudo com ignorância e desânimo.
Protesto!
Até então, só tinha me atraído por informações funcionais em relação ao meu blog, aqui, no Ferramentas Blog. Fiquei contente de saber, também, que o mesmo participa de alguns pontos de discussões relativas à sociedade e os problemas educacionais, como é o caso desta postagem. A minha opinião exercida em prol deste tema é comum a maioria dos recentes comentários: Fomos ensinados a sermos aptos a uma leitura mecanisada, como num modo automático. Os métodos de livros didáticos, ho^je, não exploram a capacidade individual do educando. Claro, sem falar de nossa fama intolerável de não-leitores assumidos. Enfim, existe uma série de pré-consequências que colaboram pra o resultado expresso frequentemente em nossos próprios blogs. É isso.
Desculpa a falta de resumo. Fiquei, realmente, empolgado com esse assunto que abrangeu, não apenas o meio blogosférico, mas o meio da educação brasileira. Poste mais artigos relacionados a realidade. Sem se desprender da proposta exercida pelo blog: Ferramentas para o blog. Abraços !
É de se chatear mesmo. Até por que eu faço parte dessa geração de jovens de agora.
Muita gente deixa de aproveitar os recursos que se tem, tanto na leitura, educação e a na internet, a acaba se tornando gente ingnorante e fácil de se enganar.
Todo o mundo quer algo fácil hoje em dia, e não se esforça em procurar resolver os problemas por si só, ou até ler um livro para escrever um resumo valendo nota de trabalho para a escola.
Eu penso que a internet pode ser algo produtivo ou uma ferramenta para emburecer ainda mais o ser humano, dependendo do modo que ele for usado e da pessoa que usa, assim com os outros veiculos de comunicação.
Eu realmente fico triste por que a grande maioria dos adolescentes de hoje não aproveitam os recursos que temos, e na época de muitos adultos de hoje não tinham.
Bem, Marcos...
A taxa de rejeição do meu blog subiu muito de uns tempos pra cá. Notei que foi em artigos cujo texto são bem grandes. A pessoa tem preguiça mesmo! Deixa pra depois e não volta!
Eu também não estou preocupado com o futuro dos blogs, mas sim com essa geração que acaba de nascer. Somos o país do futuro ou não?
Há tantos blogs por aí com erros de português e com artigos que não dizem nada. Se fosse somente o erro da gramática tudo bem, mas tem que escrever algo que seja interessante.
Ouvi dizer outro dia que "a comunicação acontece quando a outra pessoa entende o que foi dito independente de erros". Concordo com isso, mas não seria melhor e mais confiável a mensagem ser passada corretamente?
É triste a situação.
Marco Damaceno
Saudações Marcos, seriam: analfabetos ou analfabytes? rsrs... -brincadeiras à parte; concordo parcialmente contigo ou até plenamente em trechos do seu artigo. O futuro dos blog's está assegurado graças há alguns "ainda" leitores de fato e de direito, reconhecem um bom blog, um bom conteúdo e não abrem mão de dá uma passadinha pelo blog preferido, de preferência, matinalmente.
A questão é que esta preocupação ansiosa de que os blog's poderão se extinguir por falta de leitores "funcionais" e/ou formadores de opinião, para mim, não preocupa tanto assim até por quê as ferramentas vão se adequando as necessidades do usuários, a convergência das mídias é essencial e indubitavelmente necessária.
Fato esse que se "linkarmos" o presente à um futuro próximo de apenas 5 anos, teremos ai um enorme espaço amostral para a TI se desenvolver ao ponto de que, nós, simples leitores, pesquisadores e admiradores do meio "digital" possamos estar em constante metamorfose de nossas opinião; não por quê não há temos, mas sim, por que precisamos ser flexíveis e humanos; precisamos entender de que a internet, a grande rede é formada por computadores, mas sempre do outro lado existe um ser humano iguais a nós, sujeito à todas as intempéries que o meio virtual costuma impor, afinal, tudo que é novo gera um pouco de rejeição.
Felicidade, amigo continue com seu excelente trabalho, o abraço vai de longe, Natal/RN.
William Douglas
pubwebtv.blogspot.com
Uma geração de cegos lendo em Braile (de luvas)... nada faz sentido. Me entristece ver a ansiedade e a angustia geradas pela enxurrada de informação... O resultado é esse, superficialidade e ignorância. Uma pena.
Ótima abordagem Marcos, parabéns e obrigada.
Olá Marcos,
Tenho que confessar que desaprendi a escrever corretamente após meus 19 anos. Recordo-me que na adolescência eu "devorava" livros quase que diariamente e esse hábito me ajudava a escrever quase tudo sem muita dificuldade, mas depois da internet e os compromissos profissionais, reduzi drasticamente a leitura de livros e hoje tenho dificuldade com a grafia correta de algumas palavras.
Quando escrevo um post para meu blog ou um comentário como esse, leio diversas vezes e na dúvida escrevo a palavra no Word para ter certeza de como se escreve. Ainda bem que escrever corretamente há várias soluções simples e rápidas, mas o analfabetismo funcional... esse é extremamente complicado. Conheço pessoas que não dá pra acreditar que conseguiram se formar no Ensino Médio. Alunos completamente analfabetos funcionais e assassinam nossa Lingua Portuguesa dessa forma: http://twitpic.com/f9mwe
Abraços,
Júnior
Tambêm acho que no fúturo os blogs devem ser utilizados para educação, melhorando e reduzindo o analfabetismo.. (brincadeira)rssr
Passei pelo mesmo problema e concordo com sua opinião, fiz um tutorial básico sobre "como se increver no adsense" basicamente é só acessar o site e preencher o formulário, enfim. Duas semanas depois aparece um comentário em meu blog totalmente maldoso escrito mais ou menos assim com letras maíusculas " se é para ensinar ensina direito uma coisa tão complicada..." Eu pensei comigo !@%¨&* se é para aprender leia pelo menos duas vezes e até o fim. Esta realiade é dura e dificilmente alguma coisa vai melhorar nos próximos anos enquanto nossos "representantes" estiverem mais preocupados em se promover do que promover a educação.
depois q houve a "pobretização da internet" com o boom das lan houses o nível dos leitores caiu mt
Te juro que comentei isso com uma amigo ontem mesmo. Temos blogs, onde usamos muitas imagens. O problema era que apesar de escrevermos textos o pessoal apenas olhava as imagens.
Descobri que podemos criar uma postagem totalmente errada, com falsa informação e fontes inexistentes, mas sabem o que acontece se tal matéria estiver com várias imagens? Eles olham as imagens e comentam apenas elas! Se tivermos uns 20 comentários apenas 1 ou 2 irá perceber o erro e indicar ao editor.
Outra coisa que percebi, e essa realmente muito nefasta, é a tendencia de vários blogs "bombantes" de usarem apenas uma imagem, sem texto algum, e a força que uma postagem destas possue. Por mais ridícula que seja a imagem é fato que fáz mais sucesso que um belo texto escrito após horas de pesquisa.
Eu sinceramente tenho carregado o blog de imagens, mas não desisti de ainda cativar os visitantes pelo texto!
Ah, e eu lí todo seu post, só não vi o video. Sou do contra, prefiro textos aos videos! hehehe
Excelente observação, já discutimos a respeito disso no Futepoca e analisar o uso que se faz da internet é bem elucidativo nesse caso. Embora o acesso à rede se amplie ano a ano, a maioria dos usuários a utiliza para redes sociais do tipo Orkut ou para leitura/ envio de e-mails. Ou seja, nada edificante ou que treine de fato a leitura e/ ou acumule conhecimentos um pouco mais densos.
Acredito que não somento o investimento em educação seja necessário, mas também é fundamental aliar o uso das novas tecnologias a métodos também novos de educação, o que pode ser essencial para mudar esse quadro. O problema é treinar toda uma geração de pedagogos e professores que não estão habituados a essas tecnologias. Assim, o abismo entre aluno e professor fica cada vez maior e os analfabetos funcionais continuarão sendo formados nas nossas velhas escolas...
Eu li. Não só li, como concordo, pois sou blogueiro e já havia percebido isso, embora ainda não tivesse escrito nenhum artigo sobre o tema. E há mais coisas além das que você citou.
Pior do que a preguiça de ler, é a preguiça de escrever e o uso do "internetês" na escrita normal, fora da internet. A geração mais jovem está desaprendendo a escrever corretamente, misturando linguagem de internet com a do Português oficial (escrevem "naum" em lugar de não; "vc", em lugar de você; "pq", em lugar de porque; "bjs" e "abs", em lugar de beijos e abraços. E por aí vai. Pontuação? Nem pensar. Parece que para eles isto não faz falta.
É um fenômeno que precisa ser melhor estudado. Parabéns pela matéria.
Olá,
também penso muito sobre o analfabetismo funcional. Gostei muito do teu texto por trazer essa preocupação para a internet. Ainda não vejo pesquisas consistentes na área, e estou disposta a empreendê-las.
Pretendo trocar ideias contigo sobre esses assuntos e, quem sabe, possamos contribuir para a melhoria na compreensão de leitura e na importância do ato de ler (na íntegra, como você bem salientou).
Abraço,
Chris
Olá, como a maioria aqui eu também concordo em gênero número e grau, tenho tido este mesmo problema em meu blog, a taxa de rejeição é bem grande, e o tempo estimado que as pessoas ficam nos meus artigos dificilmente ultrapassa 3 minutos.
Infelizmente vou ter que me adaptar e começar a apelar para Youtube se quiser manter meu blog vivo por muito tempo.
Estou há tempos procurando um blog como esse, crítico e ao mesmo tempo didático e cheio de injeção de ânimo. Parabéns!
Oooi! Eu li o texto até o final! Ótimo texto, por sinal (mas é claro que mostra uma triste realidade). "[...]Têm acesso, mas não conseguem usar o que têm." Falou tudo. Mesmo que já tivesse noção disso, me surpreendi com esse pessoal com apenas cerca de 1200 palavras no vocabulário prático deles. Credo! Isso me lembrou que quando fui fazer o último ENEM, conversei com uma guria e com o pai dela (ambos também fizeram o exame). E conversa vai, conversa vem, o homem disse que quanto menos linhas eles exigissem na redação, melhor ele achava, porque quanto menos ele escrevesse, menos chance tinha de errar. E eu fiquei tipo "putz, para mim é justamente o contrário... me preocupo sempre com o máximo, porque querendo ou não sempre passo desse máximo no rascunho e gasto um bom tempo sintetizando meus esboços". Tudo bem que ele queria fazer o ENEM para ter o diploma de ensino médio, ou algo do gênero (não sei como isso funciona)... mas mesmo assim, tenho certeza que deve existir pessoas da minha idade que pensam da mesma forma. E isso me desagrada. Afinal, eles escrevem pensando em expressar claramente suas opiniões, ou apenas porque "os tiozinho que fizeram essa prova não sabiam mais o que perguntar daí mandaram a gente escrever textinhos". ¬¬'
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